quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Rota ao País do Ponto

O Ponto, cuja localização exata ainda é discutida (muito provavelmente nas paragens da Costa da Somália, perto da Eritréia), foi visitado pelos egípcios do Antigo Império. Na época da Rainha Faraó Hatshepsut.
Os dois países parecem ter vivido sempre em harmonia.
 Hatshepsut teve a idéia de uma missão excepcional à terra do incenso, muito utilizado pelos sacerdotes nos seus rituais. A frota egípcia emprendeu a expedição a maravilhosa terra do Ponto, ainda embelezada pelas lendas.
 Uma embarcação carregada de vitualhas separa-se e dirige-se a costa. Os marinheiros do faraó descarregam numerosos tesouros enquanto o chefe da expedição, protegido por uma escolta militar, saúda o rei e a rainha do Ponto. A rainha é disforme, sofrendo de uma elefantíase pronunciada. Pérolas, colares e armas são distribuídos.
Os grandes do Ponto inclinam-se e prestam homenagem à Amon-Rá. Os egípcios admiram uma deslumbrante flora tropical. Os nativos vivem no meio das palmeiras, em palhoças redondas as quais se tem acesso por meio de escadas. Vestem-se da mesma maneira que no tempo de Khufu (Quéops). Nesta terra, a moda pouco varia: o cabelo é trançado; a barba, aparada em ponta.
A boa disposição reina durante os negócios. Instala-se uma tenda para o emissário do rei e os dignitários egípcios.  Os egípcios levarão ébano, aura, incenso, presas de elefante, macacos, peles de leopardo e feras vivas. Temdo especial cuidado com as árvores do incenso, cujas raízes são embrulhadas em redes. O carregamento cabe exclusivamente aos  egípcios, que não deixam os habitantes do Ponto subirem a bordo.

O fim das transações comerciais é festejado com um alegre banquete em que abundam o pão, a fruta, a carne, o vinho e a cerveja. Os textos oficiais não falam em trocas, mas sim num tributo pago pelo Ponto a Hatshepsut.

Quanto ao resto, a expedição também tem seu propósito religioso: destina-se igualmente a fazer uma oferenda a Hathor, soberana do Ponto. No litoral deste país, a rainha manda erigir uma estátua representando-a na companhia do deus Amon. Durante a viagem de regresso, macacos brincalhões sobem ao longo dos cabos. Eram deixados em liberdade porque destinavam-se a ser os animais domésticos dos nobres.
A chegada a Tebas é triunfal, recordando a recepção dos marinheiros do rei Sahure (2458-2446 a.e.c.) da 5ª Dinastia. De pé nos barcos de mastros descidos, velas arriadas e lemes levantados, os marinheiros erguiam as mãos e aclamavam o faraó. Note-se que os barcos eram magicamente protegidos, estando a proa e a popa ornadas da "chave da vida", o sinal ankh, e com o Olho de Hórus. A rainha preside a cerimônia de recepção nos jardins do templo de Deir el-Bahari, onde as árvores do incenso foram plantadas. Mede-se o imenso fresco e pesam-se a aura e os outras metais. A própria Hatshepsut garante a exatidão destas pesagens. Durante a bela festa no vale, Amon visitava os templos da necrópole tebana. Ao chegar a Deir el-Bahari, o deus regozija-se com o fato de o incenso que lhe é oferecido ser fresco e puro. Era razão essencial da expedição ao Ponto. Seu coração está contente, céus e Terra são inundados de incenso.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Rotas de Comércio

Uma rota de comércio é a sucessão de caminhos e locais de paradas usados para o transporte comercial de carga.  As rotas comerciais podem ser estabelecidas por terra ou rodovia ou por água, aéria/ avião, dutoviária. O arqueólogo britânico Colin Renfrew  e seus colegas, chegaram a demonstrar que o encontro de obsidiana, um vidro vulcânico preto usado em determinadas culturas da idade da pedra para a produção de lâminas afiadas ou pontas de flechas, era um forte indicador da existência de rotas comerciais neolíticas, devido a esses objetos em obsidiana serem normalmente diagnóstico de recursos individuais. 
Os primeiros documentos que mencionaram redes interurbanas de Rotas das Caravanas e de embarcações foram produzidos por volta de 4.000 a. C.  Descreviam rotas que interligavam os primeiros povoados da Baixa Mesopotânia  (o atual sul do Iraque). Das rotas de navegação do Golfo Pérsico destacava-se a da ilha de DAilmun, que ligava a Mesopotâmia à civilização do Vale do Indo. No tempo do Antigo Império romano, as rotas marítimas pelos mares mediterrâneo e vermelho podem ser localizadas ponto-a-ponto e em detalhes através do litoral nos documentos manuscritos chamados de périplos (grego antigo): periplous, literalmente "circum-navegação", correspondente em latim a navigatio).

Rotas da seda e especiarias interligavam vários impérios pela Europa e Ásia  inclusive o Imperio Romano a dinastia Han, por volta do século I.  Essas rotas conectavam um número de pontos de comércio e cruzavam por grande parte do mundo até então conhecido. As rotas de comércio feitas via terrestre chamavam-se "rota da seda" e via marítima eram conhecidas por "rota das especiarias".

  • A Estrada Real Persa foi mandada construir pelos reis persas, com a instalação de grandes prédios destinados à hospedagem gratuita das caravanas, ao longo da antiga Rota da Seda através do planalto iraniano.


  • A Estrada Real Persa foi uma antiga via construída pelo rei Persa Dario I no século V a.C..Dario construiu a estrada para proporcionar uma comunicação rápida por todo seu grande império, desde Susa até Sardes. 


  • Os mensageiros poderiam percorrer 2.699 km em sete dias. Acerca destes mensageiros, o historiador grego Heródoto registrou: "Não há nada no mundo que viaje mais rápidos que esses mensageiros persas". E ainda: "Nem a neve, nem a chuva, nem o calor e nem a escuridão da noite impedem que realizem a tarefa proposta a eles com a máxima velocidade".


  • Referências Culturais da Estrada Real
    É dito que Euclides respondeu ao rei Ptolomeu sua pergunta de como aprender matemática mais facilmente que: "Não há estrada real para a geometria".


     

     
     
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    Em Petra, a rota dos incensos se partia em duas. Uma seguia para o Egito. Outra para o porto de Gaza, de onde seguia para Roma, Grécia e Turquia, via mar Mediterrâneo
     
    http://planetasustentavel.abril.com.br/album/albumFotos_246314.shtml?foto=9
     
    http://planetasustentavel.abril.com.br/
     
     
     
     

    Do mito e suas lendas...

    ..." Uma lenda como recito tradicional, em que o real pode ser embelezado ou deformado, contém elementos do maravilhoso, e em certos casos repousa sobre fatos históricos transformados pelas crenças populares. Se elas são povoadas de mitos, também povoam os mitos."
    ..." Mitos e lendas se combinam e se reproduzem, gerando descobertas que por sua vez, os autenticam e acrescentam. Foi assim desde os primórdios da humanidade. Durante séculos, os homens transmitiram seus sonhos, suas próprias quimeras, fábulas maravilhosas, que encantaram o mundo.  " Fernanda de Camargo Moro".

       Fernanda de Camargo Moro - Diretora científica da Rede Internacional de Arqueologia & Meio Ambiente. Traça em seu livro "As Caravanas da Lua" (ed. Record) a Rota do olíbano e da mirra.  Rota milenar, a Rota do Insenso que desde a mais alta antiguidade ligou o país do Ponto à terra dos faraós.


      
    As Caravanas da Lua: pela Rota do Incenso em busca da Rainha de Sabah
    462 páginas, 16 x 23 cm, ISBN 078850107639-7
    Lançamento em março de 2007
    Viajando pelo Iêmen a autora seguiu a Rota do Incenso, o belo caminho dos arômatas, que se funde intrinsecamente com a figura da Rainha de Sabah — personagem adorada e até hoje presente no imaginário universal. Mas terá sido esta mulher de aspectos multifacetados um mito ou de fato um personagem histórico? Diversos dentre estes vão sendo revelados no livro, conforme as lendas e narrativas que a envolvem: ora aparece como bela e sábia, ora como filha dos demônios, metade mulher e metade animal.  Tendo existido ou sido inventada, a Rainha de Sabah sobreviveu ao tempo como um grande mistério que há mais de 3.000 anos incessantemente atrai e seduz sucessivas gerações.




    Incenso, mirra e demais cheiros do Oriente

       A brasileira Fernanda de Camargo-Moro é historiadora, arqueóloga e autora de sete livros. A sua obra mais recente, Mar das Pérolas, é dedicada aos Emirados Árabes.
    Fernanda de Camargo-Moro é uma especialista em contar histórias e levar o leitor a viajar pelo tempo, revelando os segredos e o passado de lugares e povos. A pesquisadora, que já viveu na Índia, Iêmen, Palestina, Israel, Himalaia, Terra Santa, Egito e Itália, estuda há mais de 30 anos as rotas comerciais, os costumes, as lendas, as religiões e a gastronomia da Arábia e de diversas regiões do Mediterrâneo, Bálcãs, Oriente Médio, Norte da África e Ásia.

    Ao longo dos anos, especializou-se nas rotas do Oriente e publicou sete livros sobre o tema. Em 2007 lançou As Caravanas da Lua. Para fazer o caminho do olíbano, ou incenso, percorreu 1.750 quilômetros da Rota dos Incensos, fazendo caminhos a pé, outros de ônibus, jeep e alguns trechos nas costas de um dromedário. "Viajei pelos principais pontos da rota além de Sana, a capital do Iêmen, e de Marib a região do Reino de Sabah, indo do Oceano Índico até Petra”, disse à ANBA por e-mail Fernanda de Camargo-Moro, uma "jovem" de 75 anos de idade.

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    A arqueóloga está sempre em busca de novos cheiros e sabores
    “As resinas da Arábia do sul (antigo nome do Iêmen) são os diversos tipos de olíbano, que ali são da máxima qualidade, os melhores do mundo. A mirra que vendem ali também é magnífica. São ambos odores fantásticos. Ali também tem perfumes de origem animal como o âmbar da baleia que uso muito com as rosas na formação do meu Bukhur (perfume sólido)”, explicou.

    De acordo com a pesquisadora, a busca da espiritualidade determinou roteiros em direção a Meca e Jerusalém, “não esquecendo da viagem noturna de Maomé entre as duas cidades. Os aromas são parte da tradição obrigatória”, afirmou.

    Mar das Pérolas, seu novo livro, é dedicado aos Emirados Árabes Unidos. Banhada pelo Golfo Pérsico, a região guarda uma rica história geológica e está em constante mudança. Enriquecido pelo petróleo, o conjunto de pequenos estados que compõem o território reflete hoje uma imagem moderna de grande influência financeira no mundo ocidental e arquitetura arrojada. “Essa sociedade cosmopolita, de estilo de vida internacional, tem, no entanto, raízes profundas nas tradições pré-islâmicas e islâmicas da Arábia”, destaca a autora.

    “Os Emiratos Árabes me fascinam faz muito tempo, e desde o tempo que começaram a evoluir como estados modernos achei que era preciso mostrar também suas belas raízes. Estive lá diversas vezes, em diversos lugares nas mais diferentes situações, além de ter estudado, pesquisado, e criado ligações amistosas com a população”, explica.

    "Hoje a a principal característica dos Emirados Árabes é educação primorosa, cultura, proteção ambiental, e desenvolvimento comercial apurado, além de tecnologias bastante avançadas”, acrescentou.

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    Fernanda estuda há mais de 30 anos rotas comerciais, costumes, culturas, lendas, religiões e gastronomia orientais
    Em abril de 2007, a pesquisadora partiu para rever o mar das pérolas, conhecer os lugares que haviam escapado de percursos anteriores entender melhor a transformação desse ambiente. Munida de estudos históricos, memórias de outras viagens, um bom guia de Dubai e a curiosidade instintiva de uma pesquisadora, a autora vasculhou as culturas do Golfo, sua tradição, história e mitos.

    Ao voltar da viagem, a autora construiu estas memórias do mar das pérolas, um misto de investigação arqueológica, sociológica e antropológica. “O deserto se modifica e vai gerando novos encantamentos para os que o freqüentam”, observa.

    A próxima viagem de Fernanda ainda não está marcada “mas será sempre ao contrário do caminho do sol, isto é, em direção do Oriente”, garantiu.

    Trajetória

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    A historiadora é especialista em Oriente
    Fernanda de Camargo-Moro nasceu no Rio de Janeiro em outubro de 1933. Arqueóloga e historiadora, fez doutorado em Arqueologia e pós-doutorado em Arqueologia Ambiental, especializando-se nas rotas do Oriente. Foi professora titular da cadeira de Arqueologia da antiga Faculdade de Museologia do Museu Histórico Nacional e presidente da Fundação Estadual de Museus e do Conselho de Proteção do Patrimônio do Rio de Janeiro.

    Consultora há muitos anos das Nações Unidas, da Unesco e da Cepal, foi também presidente do Comitê Internacional de Arqueologia e História do Conselho Internacional de Museus. Atualmente é diretora científica da Rede Internacional de Arqueologia & Meio Ambiente, conselheira científica do Projeto Himalaias e diretora-geral do Projeto Rotas, no qual divide seu tempo com uma pesquisa aprofundada sobre a Rota das Caravanas e suas ligações com a Rota da Seda, em busca do caminho das religiões.

    Além de diversos ensaios e livros sobre sua pesquisa científica, também é autora de Arqueologias culinárias da Índia, Nos passos da Sagrada Família, Veneza: o encontro do Oriente com o Ocidente, Arqueologia de Madalena e A ponte das turquesas, todos publicados pela editora Record.

    Fonte : matéria da Agência de Notícias Brasil - Árabe
    http://anba.achanoticias.com.br/noticia_orientese.kmf?cod=8325267