O Ponto, cuja localização exata ainda é discutida (muito provavelmente nas paragens da Costa da Somália, perto da Eritréia), foi visitado pelos egípcios do Antigo Império. Na época da Rainha Faraó Hatshepsut.
Os dois países parecem ter vivido sempre em harmonia.
Hatshepsut teve a idéia de uma missão excepcional à terra do incenso, muito utilizado pelos sacerdotes nos seus rituais. A frota egípcia emprendeu a expedição a maravilhosa terra do Ponto, ainda embelezada pelas lendas.
Uma embarcação carregada de vitualhas separa-se e dirige-se a costa. Os marinheiros do faraó descarregam numerosos tesouros enquanto o chefe da expedição, protegido por uma escolta militar, saúda o rei e a rainha do Ponto. A rainha é disforme, sofrendo de uma elefantíase pronunciada. Pérolas, colares e armas são distribuídos.
Os grandes do Ponto inclinam-se e prestam homenagem à Amon-Rá. Os egípcios admiram uma deslumbrante flora tropical. Os nativos vivem no meio das palmeiras, em palhoças redondas as quais se tem acesso por meio de escadas. Vestem-se da mesma maneira que no tempo de Khufu (Quéops). Nesta terra, a moda pouco varia: o cabelo é trançado; a barba, aparada em ponta.
A boa disposição reina durante os negócios. Instala-se uma tenda para o emissário do rei e os dignitários egípcios. Os egípcios levarão ébano, aura, incenso, presas de elefante, macacos, peles de leopardo e feras vivas. Temdo especial cuidado com as árvores do incenso, cujas raízes são embrulhadas em redes. O carregamento cabe exclusivamente aos egípcios, que não deixam os habitantes do Ponto subirem a bordo.
O fim das transações comerciais é festejado com um alegre banquete em que abundam o pão, a fruta, a carne, o vinho e a cerveja. Os textos oficiais não falam em trocas, mas sim num tributo pago pelo Ponto a Hatshepsut.
Quanto ao resto, a expedição também tem seu propósito religioso: destina-se igualmente a fazer uma oferenda a Hathor, soberana do Ponto. No litoral deste país, a rainha manda erigir uma estátua representando-a na companhia do deus Amon. Durante a viagem de regresso, macacos brincalhões sobem ao longo dos cabos. Eram deixados em liberdade porque destinavam-se a ser os animais domésticos dos nobres.
A chegada a Tebas é triunfal, recordando a recepção dos marinheiros do rei Sahure (2458-2446 a.e.c.) da 5ª Dinastia. De pé nos barcos de mastros descidos, velas arriadas e lemes levantados, os marinheiros erguiam as mãos e aclamavam o faraó. Note-se que os barcos eram magicamente protegidos, estando a proa e a popa ornadas da "chave da vida", o sinal ankh, e com o Olho de Hórus. A rainha preside a cerimônia de recepção nos jardins do templo de Deir el-Bahari, onde as árvores do incenso foram plantadas. Mede-se o imenso fresco e pesam-se a aura e os outras metais. A própria Hatshepsut garante a exatidão destas pesagens. Durante a bela festa no vale, Amon visitava os templos da necrópole tebana. Ao chegar a Deir el-Bahari, o deus regozija-se com o fato de o incenso que lhe é oferecido ser fresco e puro. Era razão essencial da expedição ao Ponto. Seu coração está contente, céus e Terra são inundados de incenso.
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